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porAdilson Martins

A síndrome do Tigre enjaulado

Passar muito tempo recluso em nossas próprias convicções ou alheios à mudança que ocorre ao nosso entorno, nos leva a crer que, o nosso limite de liberdade de expressão, pensamento e conhecimento de novos ambientes limitou-se àquele imposto por nós mesmos, pelo não querer conhecer os desafiadores ambientes que sobressaiam ao nosso cotidiano.

Assim como os poderosos e valentes felinos que se arriscam na jornada diuturna em busca de alimentos, desenvolvimento órteo-muscular, novos cheiros, relacionamentos, ambientes e desafios, aprimorem-se para a evolução da espécie, nós também precisamos expandir os nossos horizontes do conhecimento, acompanhar as mudanças de comportamento, tecnologia e evolução científico-espiritual para empreender a evolução de nossa espécie.

Vivemos num momento único, na transição do ciclo da informação e do conhecimento, onde o autoconhecimento (Inteligência Intrapessoal) é a catapulta para impulsionar a descoberta de novos saberes, liberar-se das amarras dos antigos paradigmas e prospectar pensamentos de abundância, com fortalecimento de nossa energia psíquica e menos física, mais introspectiva que exponencial de querer tornar o mundo aquilo que não somos.

O grande psicanalista Viktor Frankl, em obra “Em Busca do Sentido”, declara que devemos ser a mudança que almejamos no mundo, mesmo quando não alcançarmos aquilo que desejamos, nos vemos desafiados a mudar a nós mesmos. Assim, os ensinamentos milenares de filósofos, pensadores, religiosos e historiadores se contornam à mesma espiral: o centro energético de nosso ser, desprezado e menosprezado na avalanche contemporânea das informações, sem o filtro do discernimento adequado para equacionar e tornar racional, tudo o que nos é ofertado pelas diversas áreas do saber.

A evolução pessoal e depois a busca pelo auxílio mútuo dos relacionamentos interpessoais, coadunam com o propósito de evolução, de ajudar ao próximo, de fazer o bem, de alcançar a evolução do espírito sobre a matéria, vencendo os pensamentos de escassez, comparativo e competitivo de que representamos aos outros aquilo que temos e não aquilo que somos.

O entendimento é simples. A questão é rasa, no sentido lógico. Tão óbvia é que insistimos em viver na escuridão da ignorância e não se deixar absorver da egrégora que habita o propósito de nossa existência, o encontro com a pureza das energias e a evolução do espírito puro diante da alma maculada.

Diante da evolução oferecida (filosófica, científica e espiritualmente), creio que falte pouco para que o saldo seja apurado, o joio seja separado do trigo e que as criaturas que tiveram a mesma proporção de oportunidade, tenha realizado o seu usufruto da melhor maneira, aproveitando a oferta de crescimento interno e compreendido qual a finalidade de nossa existência neste momento do universo.

Complexo? Que anda, àqueles que vivem como seres da quinta dimensão compreenderão em palavras e sentimentos o objetivo deste texto e cientificarão que o caminho para a evolução, depende ainda de [poucos] passos, cuja relatividade do tempo não desmerecerá o valor da espera.

Que o novo ano promova o encontro de nossos propósitos com algo maior, preenchendo-nos finalmente da felicidade a qual buscamos, de maneira integral e não apenas superficial, nomeada pelo dinheiro e bens que formam a fina casca da alegria, mas que, assim como o cristal, não está preparada para os impactos advindos das provações que nos será imposta, forjando nas intempéries, a força de nossas emoções, relacionamentos e busca de nossos verdadeiros ideais.

Que o ano de 2020 seja não apenas mais uma etapa, mas a fase que ofertará as mudanças necessárias para decidirmos qual o nosso verdadeiro propósito e questione: qual o legado deixaremos para registrar a nossa passagem aos que ficarem. Que as bênçãos de Deus e a missão e proposta de Jesus Cristo, sejam presentes em nossas vidas.

porAdilson Martins

A intolerância da Comunicação Interpessoal

O ser humano é o ÚNICO da raça animal capaz de comunicar-se com máxima riqueza de vocábulos, compreender e responder a este chamado. Mas, estamos perdendo a capacidade de exercitar esta dádiva, involuindo no processo de comunicação e tornando-nos mais animais que humanos.
A máxima de que “quando duas pessoas gritam, boca e ouvido estão próximos, mas os corações estão longe”, não é apenas uma romântica frase de pregação. É, na realidade, a dificuldade de compreensão da mensagem dos interlocutores. Não obstante, pessoas sincronizadas com a empatia da outra, apenas com um olhar, sussurro ou leitura labial são capazes de compreender todo o sentimento a ser transmitido.
A quantidade de informações que recebemos diariamente, quando não filtradas, tornam-se grande problema para o nosso processamento cerebral e ficamos sem “paciência” para escutar as pessoas próximas de nosso relacionamento, pessoal e/ou profissional. Passamos apenas a ouvi-las, o que é diferente, já que não damos importância, pois o nosso subconsciente considera apenas mais um blá-blá-blá do dia.
Essa comunicação piora quando partimos para a discussão natural de ideias, crenças e temas corriqueiros do cotidiano. Declarar qual é o seu candidato para Presidente resulta em rechaço, gozação e questionamentos das pessoas ao entorno. Até quem tem a mesma opinião que a sua se cala, para não fazer parte do time discriminado. Não podemos expressar mais qual o time favorito, pois todos tem apelidos, gafes ou algo que os denigra. Não é possível mais discordar do outro, sem animosidade.
A incansável Madre Teresa afirmava que “a primeira necessidade é comunicar-se”, Peter Drucker, o pai da administração moderna afirma que “o mais importante da comunicação é ouvir aquilo que não foi dito” e Sêneca (advogado, escritor e intelectual do Império Romano) afirmou que “se lhe oferecessem a Sabedoria com a condição de guardar apenas para si, sem comunicar a alguém, ele não quereria.” Todos estes avatares que viveram sobre a Terra compreenderam que a Comunicação é uma nobre forma de transmitir Conhecimento, de relacionar-se e transmitir Amor, de Evoluir.
Dentre tantas virtudes, a paciência e a tolerância são itens escassos no mercado da vida contemporânea, rifadas à pressa, à superficialidade e à justificativa (errônea) da falta de tempo. Vivem o tempo do Khronos, que são consumidos pela escassez, enquanto esquecem-se de viver o tempo do Kairós, que é a qualidade de tempo, onde passar horas ao lado da pessoa amada, curtir uma viagem ou saborear um bom prato jamais será perda de tempo.