Por que procurar fora o que está dentro?

porAdilson Martins

Por que procurar fora o que está dentro?

A saga humana encontra-se em passar uma vida inteira na busca por sentimentos que, na verdade, precisam ser organizados, conhecidos e explorados de dentro para fora. Explicarei…

Desde a antiguidade, renomados filósofos proclamavam “aos 4 ventos”, que a “felicidade é ter algo o que fazer, algo o que amar, algo o que esperar” (Aristóteles), ou ainda que “Algumas pessoas são tão pobres, que a única coisa que possuem é a riqueza” (Eclesiastes 5:10). É óbvio que dinheiro ajuda a realizar os nossos sonhos num mundo capitalista, rodeado de opções e valores que podem satisfazer-lhe desde a necessidade básica até a vaidade de comprar algo que não precisas, com um dinheiro que não tem só para mostrar para quem você não gosta!

No entanto, ainda há mais dentro de nós que a satisfação pelo dinheiro.

O conceituado palestrante, psicanalista e escritor Roberto Shinyashiki, a quem tivemos o privilégio em conhecer pessoalmente em 1994, revelou que, enquanto médico e atendendo diversas pessoas que agonizavam no momento derradeiro da partida, jamais ouvira que estes aflitos gostariam de ter mais dinheiro, bens ou riquezas. O lamento da mais profunda alma era o de perder oportunidades para ser feliz, fazer os outros felizes e estar ao lado daqueles a quem os fizeram felizes.

Apenas deste início, perceba que o tempo é um dos bens mais preciosos e democráticos: eu, você, o nosso Presidente da República e o Papa temos as mesmas 24 horas para as nossas ações, descanso, alimentação e tudo o que é necessário para um ser humano. São exatos 86.400 segundos depositados diariamente na sua conta corrente da vida, cujo investimento (ou desperdício) apenas nós, como correntistas conseguimos demandar as suas aplicações em nossa vida pessoal e profissional. Não investiu hoje? Amanhã a sua conta será zerada e voltará a ter 86.400 segundos, sem acumular nada do dia anterior… E o mais interessante: nesta comparação fictícia, você também não consegue realizar “adiantamentos”, ou seja, viver um dia da semana que vem, sem que antes este seja precedido pelos anteriores. Filosófico? E o que não é nesta vida?

Em 1983, o cientista Howard Gardner, comandava uma equipe da Universidade de Harvard, quando organizou e chegou à conclusão que o ser humano possui 7 inteligências cognitivas: 1) Lógico Matemática; 2) Linguística; 3) Musical; 4) Espacial; 5) Cinético-Motora; 6) Interpessoal; 7) Intrapessoal. Gosto desta ordem, porque representa muito o pilar que sedimenta o ser humano, razão deste artigo.

Todas estas inteligências são passíveis de aprendizagem por qualquer um de nós, no entanto, sempre demonstramos mais desenvolvimento em algumas delas. Assim, podemos afirmar que existam gênios em matemática ou idiomas, por exemplo, mas que possuem real dificuldade no relacionamento com outras pessoas (interpessoalidade).

Minha experiência ao longo de treinamentos, aulas e relacionamentos com diversas classes sociais, leva-me a crer que a mais difícil e tão logo a mais importante para sustentabilidade das demais inteligências é a intrapessoal. Conhecer-se é difícil e em alguns casos inaceitáveis, mas ao mesmo tempo tão básica para o desenvolvimento das demais inteligências. Nosso mundo é relacional, mas partir da máxima que é necessário “antes de tirar o cisco do olho do próximo é necessário tirar a trave do nosso próprio olho” (Mateus 7:4), faz todo o sentido para o entendimento da realidade que nos cerca, como desenvolver as inteligências que não nos são integradas, ainda.

Não trata-se de defesa dogmática religiosa, tampouco a pregação por novos conceitos psicológicos, mas de uma lógica tão simples e simultaneamente complexa, que insistimos em partir sempre para o lado mais difícil da compreensão. Como tudo criado por Deus, a vida é simples, mas é difícil quando começamos a questionar o inquestionável e evitamos aceitar com primor àquilo que nos é colocado para aproveitar a viagem. Não é necessário que você entenda de aeronáutica para tirar proveito de uma bela viagem de avião, tampouco preocupar-se com os perigos iminentes, pois o piloto é o responsável. Portanto, relaxe e curta na janelinha aquilo que a vida está mostrando e você insiste em não observar pelo medo ainda atravancado pelos lacres racionais demais!

Assim, em 1995, Gardner acrescenta mais 2 inteligências: Naturalista-Ambiental e Existencial-Espiritual. É impossível conceber a vivência nestas 2 inteligências complementares se ficarmos apenas no racional. Compreender o que não é explícito, faz parte do pacote de viagens de quando nascemos. Não é porque você não conhece o padeiro que diariamente lhe alimenta, que você irá afirmar que “padeiros não existam”, ou que seu talento não deve ser valorizado.

A lição ensinada pelo maior mestre da história humana é simples de ser pronunciada, mas difícil de ser colocada em prática. O amor, descrito por Jesus Cristo, não é substantivo, é verbo. Verbo é ação! Repetir as suas palavras ou passagens bíblicas não reflete o verdadeiro cristão, mas a prática destas palavras nos coloca como protagonistas e estas obras refletem o desejo do filho de Deus: sermos plenos, felizes e aproveitar ao máximo o que a vida nos oferece.

Mas, para conseguir enxergar tudo isso é necessário encontrar dentro aquilo que você busca fora. A felicidade vive, está em nós! O que lhe faz feliz? Você é grato pela saúde, emprego, família, a sua vida, enquanto você os tem? Ou resmunga a infelicidade quando alguns destes lhe é retirado e novamente a figura do Criador é lembrada.

Quer saber do que o futuro cobrará dos profissionais e pessoas que sobreviverem às intempéries cotidianas? Relacionamento humano! Por isso, antes que você comece a receber ordens de robôs, conheça os seus pontos fracos e minimize-os. Reconheça os seus pontos fortes e aumente-os! É isso que fará você feliz e realizado, resistente o suficiente para resolver os próprios problemas e auxiliar àqueles que buscam por anseios diversos.

Concluindo, reflita sobre a seguinte estória: Deus, após criar o mundo e o Homem, teria questionado o seu anjo-auxiliador sobre o local de sua morada e a proximidade com o ser humano. Deus sugeriu morar no fundo do mar, mas o anjo disse que o homem chegaria às profundezas e então o descobriria. Teria então o Criador sugerido um planeta próximo, mas o anjo afirmou que a tecnologia em telescópios e espaço-naves permitiriam ao Homem o seu encontro. Diante tantas opções e em sua sabedoria infinitiva, Deus resolveu a questão de maneira tão simples e complexa: onde morar de maneira que o Homem tenha dificuldade em encontrar-me e ao mesmo tempo eu fique sempre próximo dele? E então, Deus fez morada no coração de todo ser humano!

Agora se você não acredita, quantas pessoas você conhece com câncer do coração?

Por que buscar fora, o que está dentro? Seja feliz e descubra como o Criador sempre esteve contigo, mas talvez nunca tenha ouvido a sua voz.

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