Arquivo mensal maio 2019

porAdilson Martins

Falta de empatia: a frieza do caos contemporâneo

Nos idos tempos do ano 2001, o Jornalista Gilberto Dimenstein afirmara que o mal do século era o excesso de informações recebidas pelo ser humano. E não é que este “mal” cresceu mais?Receber uma batelada de informações, sem saber escolher dentre o universo frutífero de escritores, pensadores e pseudojornalistas que possuem o dom de transformar pesadelos da ficção em caos contemporâneo real ou maximizar uma “tempestade que inunda os copos d’água” das redações brasileiras, é tarefa árdua para quem ainda se arrisca a ler editoriais e/ou notícias de capa nos periódicos nacionais.Sabiamente, Mário Sérgio Cortella, professor, filósofo, palestrante e digno de alguns dezenas de adjetivos, declarou que diante o conceito de “navegar”, ou seja, buscar por novas terras, novos povos e novas culturas, hoje sinônimo de realizar buscas pela Internet, o ser humano acaba por “naufragar”, diante o mar de informações, sem saber quais terras, quais povos e quais culturas investigar para tornar essa informação, de fato, em conhecimento.Incrível como o lançamento de livros didáticos e literaturas fantásticas causam o fechamento de gigantes da indústria livreira, tornando à opção de sobrevivência o fornecimento de arquivos para leitores digitais (Kindles) ou ainda comércio pormenorizado financeiramente de PDFs para base de “copia e cola” dos espertos compositores de trabalhos acadêmicos/escolares. Mas, os sábios leitores ainda valorizam uma boa obra impressa, saboreando desde o cheio do papel, ao virar de uma página para inserção do marcador de leitura.O pior, é que este excesso de informação, não consegue gerar o conhecimento necessário na escala de aprendizagem (Nonaka e Takeushi), quiçá beirar à nobreza da sabedoria, que é colocar em prática o conhecimento a melhorar a vida de seu entorno social, escolar e familiar. Seria o mesmo que saber tanto que voltamos a descobrir que não sabemos nada? Espero que não seja bem assim! Lamentável ver alunos saindo da escola aos gritos, empurrando colegas e bradando palavras que no meu tempo eram (e ainda hoje é) abominareis, sem que as informações lhe formassem o conhecimento necessário para comportar-se como ser humano, como ser civilizado, como um ser evoluído.Um desafio se avizinha – silenciosamente: a Quarta Revolução Industrial. Com ela, a Inteligência Artificial promete transformar esses dados em informações úteis para tomada de decisão e num tom de submissão, o “conhecimento das máquinas” tornará o homem o seu seguidor-dependente se o homo-sapiens não aprender logo a interagir com a sua maior riqueza: a empatia – sentimento nobre de relacionamento interpessoal e intrapessoal (GARDNER, 1983).A frieza vista em noticiários sobre mortes, acidentes, catástrofes ou involução humana torna-se paisagem aos olhares urbanos, cheios de informação e vazios de empatia. Não há mais cultura de sentimento para refletir na simpatia, borbulham-se na antipatia, as pessoas passam a achar tudo chato, em meio a tantas opções, porque não sabem o que buscar, daí o naufrágio em sua psique, a perda de agentes motivadores internos e o pensamento de que “esse mundo não tem mais jeito”. Esta piscina de depressão está cheia de apatia, mas muito preferem afogar-se a alcançar a boia do amor, da compreensão, da tolerância, da paciência.Para sobreviver a este caos e potencializar as oportunidades pessoais e profissionais é preciso virar a chave do conhecimento intrapessoal, compreender o que há por trás da existência humana e saber posicionar-se para pescar a imensa torrente de conveniências que ainda existam e estão por vir. Como? Não achando tudo normal, sendo incansável na busca do conhecimento, pesquisa e acima de tudo, acreditar que o processo de lapidação do caráter humano é a razão maior de entregarmos ao nosso ente Criador, um espírito bem melhor daquele que foi concebido para evoluir, destacando-se frente ao tsunami de informações contemporâneas, sabendo extrair o néctar do saber e não sendo mais um na multidão a reclamar. A empatia é e será o poder diferenciador dos seres humanos que ainda acreditam que é possível existir felicidade neste mundo e harmonia entre os seres.